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Mundo sem Internet: é possível voltar a ele?

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Parto para este segundo desafio com a convicção clara de que estou em vantagem: Tive a sorte (se assim se pode chamar) de ter vivido em épocas com e sem internet o que me leva a poder elaborar este post com conhecimento de causa, podendo posicionar-me em ambas as situações.

A minha primeira resposta foi: é impossível! Depois, ponderei e o meu pensamento foi “mas já viveste sem Internet e não era assim tão mau! Pois claro que é possível!” Voltei a ponderar e regressei à primeira resposta “é impossível!”.

Por mais que ponderasse, creio que continuaria assim pois, vou anexando pontos positivos e negativos a cada uma das opções sem os destrinçar.

Fui apresentada à Internet por volta de 1996. Pareceu-me ser uma invenção interessante mas, como para mim ainda não tinha qualquer utilidade profissional visível, sendo os engenheiros quem a utilizava frequentemente para comunicar, desenvolver conteúdos e fazer uns joguinhos, nem conseguia sequer reconhecer ou avaliar o potencial que, passado pouco tempo, viria a ter.

À minha volta, já se falava neste novo modo de comunicar e do muito que poderia mudar em pouco tempo.

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Para mim, em 1996, nada disso era importante. Em termos práticos, não se refletia nem no meu trabalho nem na minha vida privada, pelo que não se revestia de qualquer importância.

Vou descrever como realizava algumas tarefas:

As cartas eram enviadas por correio, via CTT; Se quiséssemos que chegassem rapidamente (nunca em menos de três dias), pagávamos uma taxa de urgência e mesmo assim, às vezes, podiam demorar uma semana ou mais… O correio azul apareceu mais tarde. Aguardava-se pelas cartas até à sua chegada. Não havia modo de acelerar o processo. Era só aguardar… Podíamos ligar e questionar mas não era usual. O usual era aguardar e era norma que assim fosse…

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O telefone que usava, já era em sistema de teclas (embora tenha ainda usado um daqueles enormes, em que era necessário discar os números um a um). Todos os telefones estavam ligados a uma central telefónica – o PBX – que teimava, de vez em quando, em desligar todas as chamadas ao mesmo tempo, obrigando a telefonista a um trabalho quase artístico para conseguir voltar a conectar todos os usuários corretamente, até porque, a troca de linhas era habitual.

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A máquina de escrever era uma Remington, em ferro, que por vezes devia usar com papel químico em triplicado… um horror! Ainda não existia corretor e era melhor não nos enganarmos, sob pena de termos de recomeçar tudo outra vez e isto era um trabalho diabólico. Por volta de 1991, passei a usar uma máquina de escrever elétrica, com metade do tamanho. Foi um upgrade memorável e o melhor é que já podia utilizar fitinhas corretoras – um must!

Também usávamos Telex – Máquina complicada mas, semelhante à de escrever. A diferença é que estava conectada a outras máquinas, através de uma linha telefónica e utilizava um sistema de transmissão por sinais, semelhante ao telégrafo. A receção da mensagem era imediata. O telex foi, certamente, o antecessor do e-mail.

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Para as dúvidas ortográficas ou de vocabulário que pudessem surgir, tínhamos prontuários e gramáticas da língua portuguesa e dicionários de várias línguas, Michaelis e Larousse. Também tínhamos as enciclopédias, onde podíamos consultar factos e tirar dúvidas.

Tínhamos também uma lista telefónica pessoal, manuscrita, ordenada alfabeticamente, que alimentávamos ao longo dos anos e que se tornava um bem de valor incalculável. Para procura de números de telefone, usávamos as páginas amarelas e brancas e também tínhamos o guia das ruas para procurar moradas.

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Era obrigatório assistir ao telejornal das 20h00 na RTP1 pois, esse era o momento em que ficávamos a conhecer a atualidade do país e do mundo. Além deste meio, tínhamos os jornais e a rádio.

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As fotografias eram tiradas com máquina fotográfica de rolo, unicamente em ocasiões especiais. Casamentos, batizados e outros acontecimentos específicos. O rolo era revelado, o que demorava uns dias e era caro. Depois, eram classificadas e arrumadas em álbuns, de modo a não se danificarem.

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Tudo isto que acabei de descrever e que envolvia múltiplas tarefas complicadas, nos dias de hoje, quantos aparelhos precisamos? Quanto tempo demora? Na verdade, hoje em dia, basta-nos a internet. O tempo como eu o conhecia deixou de existir aos poucos, a contagem é feita doutro modo. Desde o surgimento da internet e de todos os seus “apêndices” temos forma de esclarecer todas as nossas questões e dúvidas rapidamente, sejam de que natureza forem. Temos contato continuo e privilegiado com toda a gente, a toda a hora, quer sejam amigos, família, chefias, professores ou colegas, todos sempre disponíveis para nós e nós para eles.

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Somos “obrigados” a estar ligados para estarmos “vivos”. Estar vivo é estar visível no mundo virtual. A rede mundial é constituída e organizada por todos nós, pelas nossas ligações, pelas nossas comunicações e pretensões e, também, pela nossa necessidade de pertencer a este mundo, em constante atualização e mutação.

Às vezes, tenho saudades do tempo antes da internet mas, não o suficiente para querer voltar atrás. De vez em quando, gostava de poder desligar tudo, durante um dia, e voltar a ter a sensação de solidão e quietude… mas este desejo esbarra contra a minha necessidade de estar sempre ligada, uma necessidade que não tinha e que surgiu de um mundo ao qual eu não pertencia mas no qual agora vivo e gosto de viver!

 

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